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sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Paula



Paula

Cigana, o teu dançar embala a vida,
o som do teu pandeiro anima o vento
Teu negro olhar é luz que à paz convida,
no teu sorriso resplandece o firmamento

Cigana, mãe querida, meu alento...
ainda me dói a dor da despedida.
min'alma não vê fim a esse tormento
Sem ti perdi meu porto de acolhida.

Contemplo o céu... Te busco... Onde andarás?
Em qual brilho de estrela, agora, estás?
Naquela que precede o Criador?

Por certo ELE te fez estrela guia,
pois foste essência pura da alegria,
a fonte do mais verdadeiro amor!

- Patrícia Neme -

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

VERSOS MOLHADOS


VERSOS MOLHADOS

Respinga a lua seu olhar tristonho,
em gotas mansas beija o adormecer
dos versos, tantos... Que, por ti, componho...
E enquanto eu rimo, a noite faz chover!

Densa neblina no olhar do meu sonho...
É chuva, é pranto... Nem sei mais dizer...
E uma saudade, que jamais transponho,
molha as janelas deste meu viver.

E na vidraça vejo a minha imagem,
chora a vidraça... O choro é meu? Bobagem...
É a tempestade que já se avizinha.

Não mais escrevo, guardo meu caderno
e dou-me conta que chegou o inverno
de uma esperança, que morreu sozinha!

- Patricia Neme -

Amor-perfeito


Amor-perfeito
(para AJ)


A mesa posta, em linho e prataria...
As velas... Não! Bastava-me o luar.
Nas taças de cristal, minha alegria...
Com rosas, demarquei o teu lugar.

Vesti-me rendilhada de poesia,
em meu cabelo, estrelas a brilhar.
Fiz do cio da noite a melodia,
para nossos sonhares embalar.

E o tempo foi tecendo seus segundos...
Em doces ilusões, percorri mundos,
onde um amor-perfeito floresceu.

Porém, nunca ocorreu tua chegada...
E agora, alcanço o fim da caminhada
sem conhecer o amor que julguei meu!

- Patricia Neme -

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

MORTE... VIDA...



MORTE... VIDA...

Se existe um amanhã... Um "logo mais"...
Quem sabe, onde a certeza do momento?
Viver, morrer... É tudo tão fugaz...
Efêmero... Qual é o pensamento.

Se agora, aqui... Em breve o corpo jaz
em meio ao canto triste do lamento.
Os sonhos... São entregues ao jamais...
Os planos... Perdem-se em esquecimento.

O Agora é tua vida, teu instante,
traze bem junto a ti quem é distante,
quem dá sentido a tu'alma, ao teu amor.

Pois só o amor conduz à eternidade,
o mais... O mais é vão, tola vaidade,
que em si traz o vazio, angústia e dor!

- Patricia Neme -

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Esperança

(Tela de Berthe Morisot)


Esperança... É loucura... Devaneio...
O apogeu que há em minha insanidade
de arrancar de minh'alma todo freio
e, sem bridas, gritar minha saudade.

Esperança é o cantar do meu anseio,
meu rogar, suplicando a eternidade
encontrada em teus braços... No permeio
dos carinhos da nossa liberdade.

Esperança... É o pulsar, atroz, fremente,
é o desejo explodindo, intransigente,
de fundir-se, entregar-se, sem pudor!

É viver e morrer, a cada instante...
É perder-se e encontrar-se... É dor errante...
É o vazio... O luar... É o tom do amor!


- Patricia Neme -